terça-feira, 2 de agosto de 2011

Demorou...



“E todos aqueles que definis como amantes do prazer são também amantes do belo e do justo, e todos continuam a praticar a virtude” Cícero
“Verdadeira instituição da boemia brasiliense, o Beirute é daqueles botecos que parecem estacionados na história. A matriz resiste há 45 anos no mesmo ponto, com suas paredes desgastadas pelo tempo, repletas de fotos antigas, e mesas de madeira revestidas de fórmica dispostas na área externa. Atrás do balcão de inox, um velho quadro de letrinhas exibe as opções de tira-gosto, cujas receitas seguem inalteradas desde a inauguração... Devidamente trajados de paletó vermelho e gravata-borboleta, muitos deles trabalham no bar há décadas e guardam histórias passadas ali sobre a política e a cultura da cidade, desde as acaloradas discussões dos movimentos estudantis até a efervescência do rock nos anos 80.” Apresentação de Beirute feita na NET.
O convite para ir conhecer e tomar um “chôpi”(nome dado a uma boa cervejinha por estas bandas) no Beirute veio do amigo, irmão e companheiro de longuíssima dada David Borges. Recuando um pouco, o David é daqueles amigos de infância, que separados desde 1984(quando deixou Bissau) voltamos há encontrar cerca de uma década depois nas noites claras de Lisboa, animada com música e djumbais na Duque D’ávila, onde moravam nos anos noventa. E dessa época até então, já não nos víamos desde 1999. A vida e os percursos delineados pelos gostos do destino fizeram-nos, encontrar desta feita em Brasília, com mais de uma década em cima.
Como se pode imaginar, o tema central da nossa conversa foi à Guiné. Antes, claro, discorrermos um pouco pelas páginas das nossas vidas, depois deste tempo todo, e as experiências passadas por cada um, mas a advocação da terra da nossa pertença marcou o nosso reencontro. Lembramos os amigos, as brincadeiras, os jogos, ou seja, os melhores momentos vividos lá, onde (como escrevi uma vez) para além de ser nossa terra é nosso chão. Mas quando começamos a olhar pela janela do passado recente e do presente, aí o ambiente gelou. O que vale é que estávamos num local animado, em que as gargalhadas, vindas das mesas circundantes, recompensaram o momento.
E logo hoje, como se sabe e, versam alguns analistas de que, “estamos a entrar de uma forma clara e evidente, num novo ciclo de instabilidade”. A “demissão” ou “o pedido de demissão” do Procurador Geral da República (PGR), Amine Saad, marcou o dia. Depois de algumas notícias de encontros vertiginosos do presidente da República Malam Bacai Sanha, a primeira norma prudencial parece ter sido tomada. Longe do país, não consegui checar, o que na realidade se passou, por isso, permita, prezad@ leit@r, a admoestação  preventiva, pois utilizarei aspas nas frases em que, abordo esta questão.
O que se segue, ou quem é o próximo(?) ninguém sabe. Especula-se de certeza! E imagino Bissau, com aqueles “canais” de mandjuandadi habituais, a decomporem este acontecimento. Sobre o PGR em si, já tinha manifestado a minha humilde opinião, neste cyber-espaço. Sempre achei que não conseguiria resolver nenhum processo, como acabou por se verificar. Entre muita “sapiência”, blá, blá, blá, e como muitas vezes o próprio afirmou “não há capacidades internas para resolver às questões dos assassinatos” o resultado é, o que se tem à vista grossa. NADA! O homem sai como entrou.
Com destino definido, parece estar à grande questão do momento, e espero que esteja mesmo. Porque entre atualizações das últimas posições assumidas pelo Ministério Público e, o pretérito desta decisão, tornam o momento preocupante. E olha que, não estou a insinuar ironicamente, caro leitor.
Conheci o recém nomeado PGR Edmundo Mendes, da última vez que estive em Bissau. Foi-me apresentado pelo meu amigo, irmão e compadre Ricardo Rosa. E permitam-me uma referência colhida na altura, deste novo PGR: um jovem corajoso, de notável lucidez e seriedade demonstrada na função que ocupou, na Polícia Judiciária. Durante aquelas horas que estivemos a conversar, nesse dia, foi evidente, o elevado nível cultural. É precisamente um perfil destes (ao meu ver) que era preciso. E sem querer desmerecer o PGR cessante, do que sei, este novo PGR, não tem nenhum registro magnético de “galhofa” na presidência da República. E quem foi (mesmo) que gravou essa galhofa?
Pois lá está, querendo contar como foi tão linda à noite que passei com um amigo de infância, acabei, por falar (escrever) sobre os últimos acontecimentos na Guiné-Bissau. E leia, se quiser, a notícia que provocou esse arrebatamento.
Até a  próxima, amigo(a)!            
 Guiné-Bissau: Amine Saad apresentou a demissão
Fonte: Luanda Digital

Bissau - Amine Saad, Procurador Geral da República guineense, apresentou hoje o seu pedido de demissão ao Presidente da República Malam Bacai Sanhá, na sequência de alegadas pressões sobre o Ministério Público devido ao actual impasse nas investigações às mortes de Baciro Dabó e Hélder Proença, em 2009.
Segundo fontes do gabinete presidencial, o pedido de demissão já foi aceite pelo Presidente Malam. Esta demissão surge numa altura em que crescem em Bissau as críticas à Justiça guineense, acompanhadas de contínuas manifestações dos partidos da oposição que exigem a demissão do Primeiro Ministro Carlos Gomes Júnior. Com a saída de Amine Saad, o Presidente Malam pretenderá resolver de uma vez por todas o principal “caso” da sua Presidência, escolhendo agora alguém que lhe dê garantias de que as investigações judiciais responderão às expectativas políticas internas criadas até aqui.

Depois do recente restabelecimento das relações da Guiné-Bissau com a União Europeia, e do reforço da cooperação internacional com o actual Governo guineense, este tsunami das estruturas do Ministério Público pode pôr em causa o actual Executivo e a independência da Justiça face a pressões de natureza política.

Amine Saad, tido até agora como um elemento de confiança do Presidente Malam, terá manifestado vontade de se distanciar destas pressões que têm incidido sobre o mais mediático processo de investigação na história da Guiné-Bissau. A intenção de manipulação do processo tem como principal objectivo a apresentação pública do actual Primeiro Ministro como o principal suspeito. Aliás, essa estratégia de pressão tem vindo a ser desenvolvida pelos partidos da oposição com as manifestações em Bissau na última semana, mas beneficiam também as alas do PAIGC que nos últimos anos têm-se posicionado contra a liderança partidária de Carlos Gomes Júnior.

Nesta imensa cadeia de pressões e interesses, o até agora Procurador Geral da República foi o elo mais fraco, sacrificado pela necessidade de afirmação política do Presidente Malam Bacai Sanhá.